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quarta-feira, 27 de julho de 2022

Um Brasil Comovente no Theatro Municipal

 No Theatro Municipal, um Brasil Comovente

Por Leo Aversa — Rio de Janeiro


"Peço licença para dividir aqui uma experiência marcante que tive no sábado passado. Do jeito que estão as coisas, talvez o leitor imagine que eu vá falar de um assalto, de um bate-boca de rede social ou denunciar algum novo golpe na internet. Não, felizmente não.

Foi no Theatro Municipal, onde fui assistir a um concerto com música de Villa-Lobos com projeção das fotografias de Sebastião Salgado na Amazônia. Um concerto em homenagem a Bruno Pereira e Dom Phillips, que faria aniversário no dia. Foi algo tão encantador que estou emocionado até agora, quando escrevo esta coluna.

Salgado, mineiro, é um dos maiores fotógrafos do mundo. Talvez o maior. Suas imagens, magníficas, mostram não só a grandiosidade da natureza que enquadra, mas, principalmente, revelam a dignidade do ser humano ao redor de toda a Terra. Há nelas uma empatia e um respeito que nos devolvem a fé no que somos. Do carioca Villa-Lobos, não há muito mais o que dizer, simplesmente representa a música clássica brasileira. No sábado a obra escolhida foi “Floresta do Amazonas”. Deslumbrante.

Na plateia, estava Fernanda Montenegro, também carioca, que além de ser a grande dama do teatro brasileiro, tornou-se, aos 92 anos, no meio de tanta iniquidade e horror, o símbolo da cultura desta nação, nossa reserva moral em tempos tão sombrios.
Não foi pouco.

Por quase uma hora a plateia foi apresentada ao Brasil mais profundo, ao país original. Ao som de Villa-Lobos, descobrimos nas imagens do Salgado a grandiosidade dos povos e paisagens que estão aqui desde sempre, na raiz desta nação. Foi um deslumbramento coletivo com o nosso país.

Foto do site  FHOX

Um país que está sendo dizimado pela ignorância e pela truculência, para o lucro de alguns poucos. Os que, ao queimar a nossa floresta, destroem o nosso futuro, espalhando ódio, preconceito e rancor

Não, leitor, eles não ficarão.

Por quase uma hora fomos lembramos que outro país é possível.

No fim, diante de tanto deslumbre e beleza, as palmas, os gritos, as palavras de ordem não foram suficientes. O público precisava de mais, precisava de algo que estivesse no fundo da alma de todos. Precisava de conexão, identidade e esperança.

O público, espontaneamente, começou a cantar o Hino Nacional. De uma forma tão visceral, tão pungente, que as lágrimas se espalharam pela plateia. Não foi o hino burocrático dos pátios escolares ou o belicoso dos estádios de futebol. Foi algo mais profundo, genuíno, que nos devolveu uma identidade e um orgulho há muito esquecidos. Ao cantarmos junto à Dona Fernanda, percebemos que havíamos acabado de sentir quem somos, de ver de onde viemos, saber para onde vamos e ter certeza com quem devemos seguir.

Nessa noite inesquecível, que aqui divido com o leitor, lembramos — graças a Sebastião Salgado e Heitor Villa-Lobos — que o Brasil pode ser mais que nos acostumamos a ver nas manchetes dos jornais, pode ser maior que uma onda de ódio e estupidez.

Sim, com o nosso esforço a cultura vai superar a violência e, sim, voltaremos a ter esperança, não medo. Há um país esperando por nós."

O Globo 26/072022

Fiquei emocionada com esse artigo de Leo Aversa. E grata, muito grata por esse relato, por me devolver a esperança no Brasil e em nosso povo, que eu tanto amo e merece dias melhores! A esse momento se somam os Manifestos pela Democracia, que crescem em assinaturas. Haja coração!

sábado, 27 de julho de 2013

JMJ2013 - Papa Francisco no Municipal

Discurso do Papa Francisco no Teatro Municipal


Excelências, Senhoras e Senhores!

Agradeço a Deus pela possibilidade de me encontrar com tão respeitável representação dos responsáveis políticos e diplomáticos, culturais e religiosos, acadêmicos e empresariais deste Brasil imenso. Saúdo cordialmente a todos e lhes expresso o meu reconhecimento.

Queria lhes falar usando a bela língua portuguesa de vocês mas, para poder me expressar melhor manifestando o que trago no coração, prefiro falar em castelhano. Peço-vos a cortesia de me perdoar!

Agradeço as amáveis palavras de boas vindas e de apresentação de Dom Orani e do jovem Walmyr Júnior. Nas senhoras e nos senhores, vejo a memória e a esperança: a memória do caminho e da consciência da sua Pátria e a esperança que esta, sempre aberta à luz que irradia do Evangelho de Jesus Cristo, possa continuar a desenvolver-se no pleno respeito dos princípios éticos fundados na dignidade transcendente da pessoa.

Todos aqueles que possuem um papel de responsabilidade, em uma Nação, são chamados a enfrentar o futuro "com os olhos calmos de quem sabe ver a verdade", como dizia o pensador brasileiro Alceu Amoroso Lima ["Nosso tempo", in: A vida sobrenatural e o mundo moderno (Rio de Janeiro 1956), 106]. Queria considerar três aspectos deste olhar calmo, sereno e sábio: primeiro, a originalidade de uma tradição cultural; segundo, a responsabilidade solidária para construir o futuro; e terceiro, o diálogo construtivo para encarar o presente.

1. É importante, antes de tudo, valorizar a originalidade dinâmica que caracteriza a cultura brasileira, com a sua extraordinária capacidade para integrar elementos diversos. O sentir comum de um povo, as bases do seu pensamento e da sua criatividade, os princípios fundamentais da sua vida, os critérios de juízo sobre as prioridades, sobre as normas de ação, assentam numa visão integral da pessoa humana. Esta visão do homem e da vida, tal como a fez própria o povo brasileiro, muito recebeu da seiva do Evangelho através da Igreja Católica: primeiramente a fé em Jesus Cristo, no amor de Deus e a fraternidade com o próximo. Mas a riqueza desta seiva deve ser plenamente valorizada! Ela pode fecundar um processo cultural fiel à identidade brasileira e construtor de um futuro melhor para todos. Assim se expressou o amado Papa Bento XVI, no discurso de abertura da V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano, em Aparecida.

Fazer que a humanização integral e a cultura do encontro e do relacionamento cresçam é o modo cristão de promover o bem comum, a felicidade de viver. E aqui convergem a fé e a razão, a dimensão religiosa com os diversos aspectos da cultura humana: arte, ciência, trabalho, literatura... O cristianismo une transcendência e encarnação; sempre revitaliza o pensamento e a vida, frente a desilusão e o desencanto que invadem os corações e saltam para a rua.

2. O segundo elemento que queria tocar é a responsabilidade social. Esta exige um certo tipo de paradigma cultural e, consequentemente, de política. Somos responsáveis pela formação de novas gerações, capacitadas na economia e na política, e firmes nos valores éticos. O futuro exige de nós uma visão humanista da economia e uma política que realize cada vez mais e melhor a participação das pessoas, evitando elitismos e erradicando a pobreza. Que ninguém fique privado do necessário, e que a todos sejam asseguradas dignidade, fraternidade e solidariedade: esta é a via a seguir. Já no tempo do profeta Amós era muito forte a advertência de Deus: «Eles vendem o justo por dinheiro, o indigente, por um par de sandálias; esmagam a cabeça dos fracos no pó da terra e tornam a vida dos oprimidos impossível» (Am 2, 6-7). Os gritos por justiça continuam ainda hoje.

Quem detém uma função de guia deve ter objetivos muito concretos, e buscar os meios específicos para consegui-los. Pode haver, porém, o perigo da desilusão, da amargura, da indiferença, quando as aspirações não se cumprem. A virtude dinâmica da esperança incentiva a ir sempre mais longe, a empregar todas as energias e capacidades a favor das pessoas para quem se trabalha, aceitando os resultados e criando condições para descobrir novos caminhos, dando-se mesmo sem ver resultados, mas mantendo viva a esperança.

A liderança sabe escolher a mais justa entre as opções, após tê-las considerado, partindo da própria responsabilidade e do interesse pelo bem comum; esta é a forma para chegar ao centro dos males de uma sociedade e vencê-los com a ousadia de ações corajosas e livres. No exercício da nossa responsabilidade, sempre limitada, é importante abarcar o todo da realidade, observando, medindo, avaliando, para tomar decisões na hora presente, mas estendendo o olhar para o futuro, refletindo sobre as consequências de tais decisões. Quem atua responsavelmente, submete a própria ação aos direitos dos outros e ao juízo de Deus. Este sentido ético aparece, nos nossos dias, como um desafio histórico sem precedentes. Além da racionalidade científica e técnica, na atual situação, impõe-se o vínculo moral com uma responsabilidade social e profundamente solidária.

3. Para completar o "olhar" que me propus, além do humanismo integral, que respeite a cultura original, e da responsabilidade solidária, termino indicando o que tenho como fundamental para enfrentar o presente: o diálogo construtivo. Entre a indiferença egoísta e o protesto violento, há uma opção sempre possível: o diálogo. O diálogo entre as gerações, o diálogo com o povo, a capacidade de dar e receber, permanecendo abertos à verdade. Um país cresce, quando dialogam de modo construtivo as suas diversas riquezas culturais: cultura popular, cultura universitária, cultura juvenil, cultura artística e tecnológica, cultura econômica e cultura familiar e cultura da mídia. É impossível imaginar um futuro para a sociedade, sem uma vigorosa contribuição das energias morais numa democracia que evite o risco de ficar fechada na pura lógica da representação dos interesses constituídos. Será fundamental a contribuição das grandes tradições religiosas, que desempenham um papel fecundo de fermento da vida social e de animação da democracia. Favorável à pacífica convivência entre religiões diversas é a laicidade do Estado que, sem assumir como própria qualquer posição confessional, respeita e valoriza a presença do fator religioso na sociedade, favorecendo as suas expressões concretas.

Quando os líderes dos diferentes setores me pedem um conselho, a minha resposta é sempre a mesma: diálogo, diálogo, diálogo. A única maneira para uma pessoa, uma família, uma sociedade crescer, a única maneira para fazer avançar a vida dos povos é a cultura do encontro; uma cultura segundo a qual todos têm algo de bom para dar, e todos podem receber em troca algo de bom. O outro tem sempre algo para nos dar, desde que saibamos nos aproximar dele com uma atitude aberta e disponível, sem preconceitos. Só assim pode crescer o bom entendimento entre as culturas e as religiões, a estima de umas pelas outras livre de suposições gratuitas e no respeito pelos direitos de cada uma. Hoje, ou se aposta na cultura do encontro, ou todos perdem; percorrer a estrada justa torna o caminho fecundo e seguro.

Excelências, Senhoras e Senhores!

Agradeço-lhes pela atenção. Acolham estas palavras como expressão da minha solicitude de Pastor da Igreja e do amor que nutro pelo povo brasileiro. A fraternidade entre os homens e a colaboração para construir uma sociedade mais justa não constituem uma utopia, mas são o resultado de um esforço harmônico de todos em favor do bem comum. Encorajo os senhores no seu empenho em favor do bem comum, que exige da parte de todos sabedoria, prudência e generosidade.

Confio-lhes ao Pai do Céu, pedindo-lhe, por intercessão de Nossa Senhora Aparecida, que cumule de seus dons a cada um dos presentes, suas respectivas famílias e comunidades humanas de trabalho e, de coração, a todos concedo a minha Bênção. (Globo)


terça-feira, 30 de abril de 2013

Teatro Municipal faz parceria com Accademia Scala de Milão

Theatro Municipal do Rio de Janeiro faz parceria com a Accademia Scala de Milão

Especialmente quando os noticiários estão cheios de notícias sobre crises e violências, sentimos falta das notícias boas. Por isso, foi com imenso prazer que soube de uma iniciativa que preserva e desenvolve o patrimônio cultural do Rio de Janeiro. Já dava para notar a restauração externa no Theatro Municipal, pois é visível o novo brilho da reluzente águia dourada de asas abertas no telhado da casa de espetáculo. 

O próximo passo na sua recuperação visa o aprimoramento dos artesãos do teatro. Foi feita uma parceria com a Accademia Scala de Milão, uma escola de formação técnica de excelência. Serão oferecidos cursos básicos de Cenotécnica, Adereços, Cabelo e Maquiagem, Eletricista Cênico, Sonorização, Fotografia, Vídeo e Edição, Costura, Contra-regragem e Camarim. Nos níveis mais avançados haverá Chapelaria e Direção de Cena, entre outros. Os detalhes sobre essa Fábrica de Espetáculos podem ser lidos no release do site do Teatro. Está dando ótimo frutos a gestão de Carla Camuratti!



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