domingo, 23 de dezembro de 2018

Feliz Natal!

Então é Natal...


São as luzes brilhantes, é o Presépio, a estrela e a Arvore. E mais os enfeites, o cheiro de especiarias dos bolos e biscoitos, as caixas coloridas de presente e, sobretudo, os sorrisos e os corações que se abrem para a alegria e a confraternização. O Natal é a festa mais linda do Universo! 

O menino-Deus veio à Terra no lugar dos mais improváveis, tendo por berço a manjedoura dos animais. A mais pobrezinha das crianças pode se identificar com Ele. No entanto, em nenhum palácio houve acolhida melhor para o querido Jesus, pois o que torna rico um lar é o Amor entre os ali viventes. Se nos colocarmos diante da imagem que nos lembra Jesus, Maria e José, peçamos a Deus que nos faça mais amorosos, mais humanos, para tornar a vida mais brilhante e agradável a todos.

Feliz Natal!



sábado, 15 de dezembro de 2018

Natal é Esperança

Entre tantas notícias e artigos que despertam desalento, fez-me bem ler o que escreveu a juíza Andréa Pachá sobre um menino que tem nome de Anjo. Gabriel, em aramaico, significa "homem forte de Deus". O menino brasileiro suportou muita coisa, foi criado longe da família e cedo teve contato com a burocracia que emperra a vida. Gabriel teve a sorte de encontrar pela frente uma juíza sensível que sabe ouvir. Eis sua história.

Por Giotto di Bondone, Domínio público, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=94608


Direito à Esperança (de Andréa Pachá)
Todos temos direito de renovar nossos desejos e sonhos

"Sentada na poça do próprio sangue, no chão do Hospital Pedro II, Paula tentava fazer Dalila chorar. Orientada para massagear as costas do bebê, por vozes dos que registravam a cena do parto, mãe e filha eram o retrato do descaso, do desamparo e da solidão. A forte imagem parecia encerrar a retrospectiva de um ano que começou com a execução brutal de Marielle, sepultou milhares de jovens, transitou pela intolerância e ódio e nos levou a um dos períodos eleitorais mais conturbados da história, com o atentado contra o então candidato, hoje presidente eleito.

Apesar das tragédias, no entanto, chegamos ao fim de mais uma volta em torno do Sol e, como seres dos ritos e dos símbolos, para não sucumbir ao pessimismo e à indignação que paralisam, temos direito de renovar nossos desejos e sonhos. Escolhi, então, uma história, cuja lembrança é um sopro de coragem e alegria, na afirmação da esperança e da justiça:

“Após atormentar o Cartório e ameaçar virar traficante caso não falasse com o juiz, o menino, sentado na minha frente, constrangido pelo ambiente, tentava explicar a urgência:

— Não tenho tempo pra voltar aqui não. Eu trabalho todo dia.

Embora ele tivesse duvidado da minha autoridade, pela falta da roupa preta e do martelo da mão, prosseguiu: — Ontem, fui buscar uma cesta básica e, quando voltei, a polícia me parou porque achou que eu era bandido. Deve ser porque sou preto. Mostrei minha carteira de trabalho e só tem meu nome, mais nada. Tô tentando há mais de ano resolver o resto e todo dia me mandam voltar depois. Agora inventaram que eu tenho que fazer um exame. Eu sei quem sou, sei quem é minha mãe e sei que dia eu nasci.

Gabriel era um de seis irmãos, abandonado pela mãe, de pai desconhecido e sem qualquer documentação. Três anos antes, uma equipe da prefeitura os encontrou e levou-os para um abrigo. Na época, imediatamente todos foram registrados, apenas com um nome na certidão. Alguns voltaram para casa de familiares, outros sumiram, perderam o fraterno contato e nunca mais souberam da mãe ou descobriram quem era o pai. Por mais paradoxal que seja, pode-se dizer que Gabriel teve sorte. Conseguiu emprego e tirou carteira de trabalho só com o nome próprio.

Há quase dois anos corria atrás do déficit de cidadania. Envolto na burocracia excessiva, seu caso foi tratado como mais um, dentre tantos. Ofícios, citações, tentativas de localizar parentes e, na falta de qualquer comprovação quanto à idade dele, aguardava-se um exame médico que indicasse o ano do nascimento.

Nada mais inoportuno do que um processo para traduzir a eloquência do olhar de Gabriel. Nada mais perverso do que o absurdo de submetê-lo a tais exigências. A rede legal de proteção é para ser usada a favor do cidadão, e não para transformar em suspeito um menino, que jamais protagonizou sua vida e nem possui instrumentos mínimos de inserção social.

A excessiva desconfiança para a comprovação dos dados reforçava o preconceito contra os suspeitos de sempre. Tantos cuidados e nenhum cuidado para atender quem mais precisa da justiça. Tanta cautela e nenhuma preocupação em não presumir a má-fé de um ser humano. O rapaz era apenas um, entre os mais de 600 mil brasileiros sem registro de nascimento, segundo apontou o IBGE em 2010.

—Então, Gabriel, você disse que é filho da Dona Maria e nasceu em Petrópolis, no dia 20 de dezembro de 1991? —Posso pedir uma coisa? Dá pra eu nascer dia 1º? É que dia 20 fica muito perto do Natal, e todo mundo esquece o meu aniversário.

Quase 20 anos sem registro, dois anos num emaranhado burocrático para provar que existe, a vergonha de ser confundido com um ladrão de cesta básica, a ameaça de virar traficante, 19 dias de antecipação de um nascimento?

— Claro que dá!

Com a certidão na mão, ele finalmente acreditou que eu era juíza.”

Que a coragem de Gabriel restabeleça nossa esperança e nos motive a transformar em realidade a dignidade, e todos os direitos humanos, especialmente o direito de existir e de ser sujeito de direitos.

Um ano mais doce e mais luminoso para todos nós!"

Globo de 15/12/2018 


domingo, 30 de setembro de 2018

A Verdade Inescapável sobre a Petrobrás

A memória brasileira costuma ser curta. Por isso torna-se tão oportuno o artigo de Miriam Leitão no Globo de hoje. A jornalista traça a triste trajetória de corrupção na Petrobrás, durante os governos Lula e Dilma. Mesmo se dizendo contrários a sua venda, os petistas privatizaram-na aos interesses de PT, PP e MDB. A empresa foi salva a tempo pelas descobertas da Operação Lava-Jato. Diante da possível eleição de um novo presidente petista, todo cuidado é pouco na contínua vigilância sobre essa empresa tão amada pelos brasileiros.

Petrobrás, foto de Eric e Christian

A Verdade Inescapável

"O programa do PT fala em fortalecer a Petrobras mas o partido a enfraqueceu. O acordo da Petrobras com o Departamento de Justiça americano, fechado na semana passada, foi mais um dos episódios da lenta e difícil recuperação da estatal depois do ataque feito contra ela no período em que o Partido dos Trabalhadores governou o Brasil. As narrativas do PT são mentiras bem construídas, usando pedaços de verdade para desviar o olhar do ponto principal. E o ponto sobre a Petrobras é que a empresa foi assaltada.
O partido é o segundo colocado nas intenções de voto e tem chances de passar a primeiro no segundo turno, por isso é preciso que fique claro o seu erro. Se voltar ao poder, a fiscalização tem que ser redobrada para evitar-se a repetição da mesma tragédia. Internamente há mais anticorpos hoje que podem impedir uma nova tragédia como a que foi revelada pela Lava-Jato.

Na negociação com o Departamento de Justiça, a estatal brasileira teve que lutar para não ser considerada empresa corrupta pela legislação americana. Se o fosse, seria banida do mercado americano. Conseguiu fechar o acordo, pagará um preço alto, mas se livrou do pior. Ficou escrito no documento assinado que durante os anos de 2004 a 2012 “os executivos e seus gerentes” junto com “fornecedores e prestadores de serviço montaram um enorme esquema de fraude e propina”. Este período é o dos governos de Lula e Dilma. Os maiores beneficiários desse esquema foram os partidos que estavam no poder, principalmente o PT, o PP, o PMDB.

Petrobras RJ - Jardim Burle Marx
A governança começou a mudar com Pedro Parente em 2016 e continuou com Ivan Monteiro. Uma das razões de a corrupção ter sido bem sucedida na empresa era a estrutura corporativa. Cada diretoria era uma espécie de “baby Petrobras”, como explica um executivo. Assim, a diretoria de Abastecimento, por exemplo, comandada até 2012 por Paulo Roberto Costa funcionava como se fosse uma empresa independente.“Era um silo fechado”, ao qual outras diretorias não tinham acesso, e que reportava a si mesmo. Isso foi substituído por uma estrutura com mais comunicação interna e decisões colegiadas. Nada do que foi feito blinda a empresa, contudo.

A narrativa do PT é que a companhia chegou ao maior valor de mercado em 2008 na época do Lula. De fato, por causa do pré-sal e do preço do petróleo, mas também foi no governo Dilma que ela teve o seu valor mais baixo, quando a empresa não tinha sequer a capacidade de ter um balanço auditável. Afirma-se que foi Dilma que demitiu Paulo Roberto Costa, até antes da Lava-Jato. É verdade, mas foi Lula quem nomeou.
A verdade inescapável é que a Lava-Jato descobriu um esquema gigantesco de corrupção na companhia montado nos governos petistas. A mesma operação que hoje tem sido combatida por tantos políticos e enfraquecida por decisões do Supremo. O país deve à Lava-Jato o começo da operação que tem recuperado a Petrobras. Na semana passada, houve a superação de mais um obstáculo no processo de saneamento da empresa. O PT tem feito, há anos, uso eleitoral da acusação que faz aos adversários de quererem privatizar a companhia. O esquema descoberto pela Polícia Federal e pelo Ministério Público é a pior forma de privatização. A que usa a empresa para o butim partidário.

Oil Platform P-51 by Divulgação Petrobrás
O sucesso da 5ª rodada de leilão do pré-sal ilumina outro erro cometido pelos governos petistas. As mudanças regulatórias tornaram a disputa mais competitiva, participaram 12 empresas estrangeiras que ofereceram volumes de óleo-lucro à União muito acima do valor mínimo. Quem menos ofereceu foi a Petrobras ao exercer seu direito de preferência. Antes a empresa era obrigada a ser a operadora única e isso era uma camisa de força para ela e para o país. A perspectiva é de que nas próximas três décadas o Estado brasileiro tenha um enorme lucro com esse leilão da última sexta. Cálculos são de R$ 240 bilhões só de pagamento de impostos.

A Petrobras é fundamental para o país e precisa ser blindada contra a corrupção e protegida dos erros ideológicos, qualquer que seja a tendência do governo escolhido pelos eleitores brasileiros. Alguns erros são conhecidos: indicações políticas, falta de autonomia, imposição de investimento sem retorno, uso da política de preços para segurar a inflação. Tudo isso enfraqueceu a Petrobras. Essa é a verdade que derrota qualquer narrativa."
Miriam Leitão (O Globo, 30.09.2018)

Petrobras sede SP by The Photographer

sábado, 9 de setembro de 2017

A Farsa Acabou

Pode não parecer, mas o momento em nosso amado país deve ser de esperança. A verdade liberta! A imagem das malas abarrotadas de dinheiro de Geddel e a conversa do "italiano" Palocci tornaram tudo claro como água. Como disse Deltan Dallagnol "A corrupção é uma assassina sorrateira, invisível e de massa. Ela é uma serial killer que se disfarça de buracos em estradas, em faltas de medicamentos, de crimes de rua e de pobreza". É agora que os brasileiros devem ficar alerta, defender a Lava-Jato e guardar-se de cair na conversa malandra de candidatos em 2018. Antes de votar, informem-se camaradas!
foto Givaldo Barbosa - O Globo

Para começar, assistam o filme "Polícia Federal - A Lei é para todos" e leiam o artigo de Rosiska Darcy Oliveira para o Globo (09/09/2017)

"As máscaras caíram. La commedia è finita. A História, irônica como sempre, escolheu a Semana da Pátria para presentear os brasileiros com as imagens definitivas, irrefutáveis do fim de uma trama sórdida, urdida por uma gente abominável.
Malas e malas de dinheiro sujo do ex-chefe da Secretaria de Governo de Temer, um depoimento frio e devastador contra Lula, uma gravação obscena e machista de um bandido armado com a poderosíssima arma que uma grande fortuna pode ser.
Que o Brasil tenha se tornado um acampamento de bandoleiros parece evidente. O que importa agora é que os Joesleys da vida estão encurralados, acabarão todos atrás das grades, onde já está Geddel, depois de uma boa e profilática limpeza de lava a jato. Essa é a melhor das notícias, o presente do Dia da Pátria.
Nos mesmos dias em que as fitas com o chorrilho de canalhices machistas de Joesley eram ouvidas no STF, em Curitiba Palocci contava ao juiz Sergio Moro o que muitos já sabíamos.
Duzentos milhões de brasileiros ouviram do homem forte do governo Lula que o maior líder popular do Brasil, depositário não só das esperanças mas sobretudo do amor dos mais pobres, eloquente no discurso contra “eles”, os ricos, vivia a soldo “deles”, pedia milhões em propinas aos homens mais podres do Brasil. E recebia, fartamente. Dilma sabia das regras do jogo, jogando nas laterais. Eram “eles” que governavam o Brasil, embora os brasileiros acreditassem ter votado no Partido dos Trabalhadores.
O depoimento de Palocci, o Italiano das planilhas da Odebrecht, quebrou definitivamente os pés de barro do ídolo nacional que foi Lula, posto a nu na sua verdadeira condição de cúmplice do poder econômico mais corrupto. Sem apelação possível, ficaram demonstrados a periculosidade e o cinismo de uma organização criminosa que, sob o seu comando, governou o país por 16 anos.
É humilhante, sim, para o povo brasileiro, é uma traição terrível, uma decepção imensa para os milhões que o elegeram, mas é a verdade necessária que desconstrói os mitos e permite refundar a vida democrática.
Quando alguém é traído, no amor ou na amizade, o grande risco é perder a capacidade de amar. Na política, os melhores sentimentos podem deslizar para o desencanto. O risco que corre o povo brasileiro é, em um surto de depressão nacional, desacreditar de suas esperanças e cair nos braços de outro aventureiro ou psicopata, já que isso não falta na lista de pretendentes à sucessão de Lula no coração do povo. Um Lula ameaçado de passar as eleições de 2018 na cadeia.
Não me inscrevo entre os deprimidos. Indignada, sim, estou há décadas, com a obscena desigualdade deste país injusto, com a ditadura que ganhei de presente de 20 anos, com a progressiva usura dos sonhos de ver o Brasil tornar-se a grande nação que acreditei que ele fosse, com a evidencia da corrupção desvairada que, como um cupim, vai desfazendo o Estado brasileiro e contaminando a sociedade. Por tudo isso, creio que estamos vivendo um momento de travessia e de ruptura. Nada será como antes.
O ministro Luís Roberto Barroso, clarividente, aposta em uma revolução silenciosa em curso. “O velho já morreu, só falta remover os corpos. O novo vem vindo. Há uma imensa demanda por integridade, idealismo e patriotismo. Essa é a energia para mudar o curso da História”, escreveu em artigo recente.
Não é hora para depressão, ao contrário, é preciso celebrar essa revolução silenciosa e usar essa energia que a raiva e a frustração alimentam para fortalecer essas demandas que exprimem um querer coletivo.
A exigência de integridade é condição para governar, já que é obvia a relação de causa e efeito entre a pobreza e a corrupção, a ineficiência dos serviços e o assalto aos cofres públicos.
Idealismo, porque nunca tantos se preocuparam tão intensamente com o destino do país, opinando nas redes e nas ruas. E se há visões contrárias, o que é da natureza da democracia, são interpretações diferentes de um mesmo desejo de viver em um país mais justo. A lenda da juventude apática caiu por terra.
É preciso coragem para falar em patriotismo desde que o perigosíssimo Jair Bolsonaro usurpou a palavra para batizar seu partido fascistoide. No texto de Barroso essa palavra é reinvestida pelo que de fato é, o sentimento cálido de pertencimento, real, que todos conhecemos desde a infância e que nos leva a querer contribuir para tirar o país da tragédia em que mergulhamos.
A Semana da Pátria foi gloriosa. A farsa acabou. Caiu o pano. Desmascarados, nos bastidores, o salve-se quem puder."

domingo, 16 de abril de 2017

Feliz Aniversario Joseph!

Parabéns Jose!
Há 90 anos, em Marktl, às margens do rio Inn, nascia um menino que os pais chamaram de Jose. O dia estava frio e havia neve, mas a família católica alegrou-se que o filho caçula nascesse no Sábado Santo, véspera da Páscoa. Dois anos depois, a família mudou-se para Tittmoning, pequena cidade cortada pelo rio Salzach. Era um período difícil na Alemanha e na Áustria, país vizinho; havia pobreza e instabilidade. A luta entre os partidos políticos causava inimizade entre as pessoa. No final de 1932, a família precisou mudar-se mais uma vez, pois o pai de Jose, George e Maria tinha se exposto demais, enfrentando a violência dos camisas "marrom" durante os comícios. Apesar da mudança, aos poucos o nacional-socialismo (nazismo) ia transformando até a vida nas pequenas cidades. Em 1935, George entrou para o seminário arquiepiscopal, onde foi seguido por Jose na Páscoa de 1939. 

Veio a guerra, o seminário de Traunstein foi fechado, sendo transformado em hospital militar. Em 1943, aos 16 anos, Jose teve que aceitar um "internato" bem estranho, difícil para um menino que amava os livros e era tão pouco afeito aos esportes ou a vida militar. Os seminaristas nascidos em 1926-1927 foram levados para a Flak, em Munique. Mas foi possível continuar assistindo às aulas no ginásio Max, três vezes por semana, enquanto a cidade caía em ruínas. O grupo do seminário considerou a invasão dos aliados ocidentais na França como sinal de esperança. No final de 1945, George e Jose puderam voltar ao seminário. Sessenta anos mais tarde, Jose tornou-se o Papa Bento XVI, aceitando por algum tempo a missão de orientar a renovação da Igreja de Jesus Cristo, que ele tanto ama. Feliz Aniversário Papa emérito Bento XVI!


“Todos na Igreja temos uma grande dívida de gratidão para com Joseph Ratzinger-Bento XVI pela profundidade e o equilíbrio do seu pensamento teológico, vivido sempre ao serviço da Igreja, até às responsabilidades mais elevadas”, o Papa Francisco escreve, no prefácio da nova biografia do agora Papa emérito, ‘Servidor de Deus e da humanidade’.

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