quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Como Voltei para Deus - um bom motivo

de Peter Seewald

At Church, de Carl Larsson
No meu processo de aprendizagem da fé, houve alguns encontros importantes, que me mostraram passo a passo algum aspecto novo do mundo misterioso do cristianismo. Mas o meu principal motivo para voltar à religião foram os meus filhos. Tinham crescido pagãos, e certa manhã assustei-me ao cair em mim neste ponto. "Eles não saberão nada sobre o Monte Sinai", comentei desesperado com a minha mulher, "e quando lhes perguntarem sobre as bem-aventuranças, só abanarão cansadamente a cabeça. Não terão a menor noção da nossa cultura. Sobre que coisas poderemos falar daqui a uns anos? E que imbecilidade há de preencher-lhes o vácuo espiritual que certamente vai crescendo neles de dia para dia?"

Talvez eu não tenha faltado para com os meus filhos - que pensava eu - apenas por não lhes ter dado tempo suficiente para brincarmos juntos, com carinho e amor, mas por tê-los privado também de outras coisas muito mais importantes: certa firmeza, coerência e orientação. Os nossos filhos deveriam ter pelo menos a liberdade de poderem algum dia abandonar a Igreja, se assim o quisessem. Um motivo paradoxal? Sem dúvida, mas para se poder julgar alguma coisa, é preciso antes ter chegado a conhecê-la; e eu experimentava a ânsia de lhes dar alguma coisa que pudesse ajudá-los no caminho da sua vida, uma espécie de provisão de que pudessem alimentar-se mais tarde.
(Meu Deus! Como voltei para Deus - editora Quadrante)

Freedom from Fear, de Norman Rockwell

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