segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Immaculée Ilibagiza

'Nasci no paraíso. 

Pelo menos era assim que me sentia a respeito da minha terra natal durante meus primeiros anos de vida.

Ruanda é um país pequenino, engastado como uma jóia na África Central. Sua beleza é tanta que é impossível não ver a mão de Deus no ondular de suas luxuriantes colinas, montanhas envoltas em névoa, vales verdejantes e lagos que cintilam. A brisa suave que desce das montanhas, por entre florestas de pinheiros e cedros, traz consigo o doce perfume dos lírios e dos crisântemos. E o clima é tão ameno o ano todo que os alemães, chegados no final da década de 1830, chamavam-na "terra da eterna primavera".

Durante a infância, jamais me falaram sobre a existência das correntes do mal que um dia dariam origem ao holocausto que inundou meu país num banho de sangue. A menina que eu era só conhecia do mundo a encantadora paisagem ao seu redor, a gentileza dos vizinhos e o amor profundo de meus pais e irmãos. Em nossa casa, racismo e preconceito eram totalmente desconhecidos. Eu não tinha consciência de que as pessoas pertenciam a tribos e raças diferentes e, até entrar para a escola, jamais havia escutado palavras como tútsi ou hútu.' (Sobrevivi para Contar - Immaculée Ilibagiza, editora Fontanar)

Immaculée escapou do massacre de 1994, em Ruanda, escondida com outras sete moças num banheiro diminuto, durante três meses. A engenheira africana sobreviveu graças a sua fé, abandonou o sentimento de vingança e perdoou os assassinos de sua família, recomeçando a vida. Está visitando o Brasil, onde acaba de dar uma palestra emocionante no Teatro Oi Casagrande, no Leblon. O auditório lotado também conheceu hoje a Orquestra Filarmônica do Rio de Janeiro, aplaudidíssima. Fechando a noite, a querida bateria da Beija-Flor. Que noite!

sábado, 8 de outubro de 2011

Inseguros e timidos

'A personalidade insegura não tem uma base de idéias firme. É como um navio cujo piloto não sabe a que porto se dirige. Balança ao sabor dos acontecimentos. Os pressentimentos negativos quanto ao futuro deixam-na apavorada. Deprime-se por qualquer apreensão pessimista. Tem a a sensação de ser arrastada de cá para lá por forças desconhecidas. Como não tem uma fé profunda, acaba por dar valor a qualquer coisa que se lhe apresente como tábua de salvação. E acaba caindo na crendice e na superstição.

Esse homem duvida, duvida sempre. Tem a impressão de estar continuamente na encruzilhada de um caminho sem saber exatamente qual a vereda que deve escolher. Não tem critérios de opção. Isso o angustia. Será que acertei? Que será de mim no futuro? Na realidade, para onde me dirijo? Poderei ser feliz algum dia? Falta-lhe esse tranquilo abandono de quem sabe que se encontra nas mãos de um Pai amoroso que está mais interessado na sua felicidade do que ele próprio. Esse homem flutuante, intranquilo, sofre muito. Dá pena. Está com saudades de um lar, de proteção, de segurança. Está precisando de Deus.' (Fortaleza, Rafael Llano Cifuentes - Quadrante)

Foto de João Quental

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