sábado, 19 de junho de 2021

28 May 2021 Holy Rosary - Nossa Senhora de Altötting

Que privilégio poder rezar com tantos cristãos de todo mundo na Maratona do Santo Rosário! Me tocou o coração especialmente o terço rezado na Alemanha, no Santuário de Nossa Senhora de Altötting. Umas poucas famílias, três sacerdotes, um organista e duas cantoras, que elevavam nossa alma ao céu. 

Em 11 de setembro de 2006, o Papa Bento XVI doou ao santuário o anel episcopal que usou como Arcebispo de Munique. Desde pequeno, Joseph Ratzinger visitava o santuário da Virgem Negra da Bavária, acompanhado pelos pais. O anel agora faz parte do cetro da imagem da Santíssima Virgem. 


AULA 3 - CURSO REFLEXÕES SOBRE VIDA E FELICIDADE

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Respondendo a Dom Antonio e Ana Paula: O que é felicidade para mim? 

Felicidade é estar em paz, com a alma cheia de graça e amor pelo mundo e suas criaturas. E é também o momento daquele lanchinho à tarde, com a família ou uma amiga. É descobrir um bom livro, abrir a janela quando o sol nasce e sentir a brisa fresca enquanto observo o céu, os pássaros e as folhas que se movem.

Entre as coisas que me ajudaram a compreender o mundo e ser feliz estão os filmes. Em pequena, aprendi com “Polyanna” a ver o outro lado das dificuldades. Com o diretor Frank Capra percebi que “Do mundo nada se leva”. Na adolescência, Scarlet O’Hara me ensinou que não devo pensar nos problemas quando não posso resolvê-los, e que amanhã é outro dia. Já adulta, mãe de alguns filhos, “A Festa de Babette” me comoveu, identificando o grande prazer de dar o melhor de mim.

E assim vou, respirando, me exercitando no corpo e na alma, a caminho da morada de Deus - fiador da minha felicidade - sempre buscando o amor, a beleza e a vida. Depois de assistir esta aula de Dom Antonio e Ana Paula, descobri que preciso melhorar meu senso de humor. Próxima etapa! 


domingo, 4 de abril de 2021

 A Hora da Mãe

Há dor maior do que a da mãe que perde um filho? Lembro de Luisa com 10 meses, uma bebezinha linda, sorridente e ativa, que em certa manhã começou a chorar agudamente, de uma forma que nunca mais vi. Colocada no colo, alternava momentos de dor e total relaxamento, com a cabeça repousando no meu ombro, enquanto caminhava com ela pela casa. Na época só mamava no peito, mas tudo que ingeria, voltava. Assustador. Levada para a clínica infantil, o médico não soube identificar o problema. Só com a chegada do meu marido, do plantão no Hospital Miguel Couto, tivemos o diagnóstico: invaginação intestinal. Depois de examinar nossa filha, Paulo teve dificuldade de convencer os colegas de clínica da correção do seu diagnóstico. Recorreu ao pediatra da Lulu, querido Pedro Solberg, que nos recomendou o cirurgião infantil Claudio de Sousa Leite. Dr. Claudio compareceu assim que pôde, e realizou o procedimento que nos livrou a todos de tanta aflição. Minha gratidão eterna a esses dois médicos hábeis e generosos.

Tudo isso para lembrar meu primeiro momento de grande sofrimento como mãe, que me levou a um abismo de dor numa época em que andava afastada de Deus. Contudo só voltei à Casa do Pai quando Paulo quase morreu com uma meningo-encefalite bacteriana, doze anos depois do acontecido com a nossa Lulu. Aí meus joelhos vergaram definitivamente. Pedi socorro à Maria, a quem Jesus nos deu por mãe e intercessora. Atendida, retomei o caminho em direção a Deus. 

Maria tinha uma Fé inabalável, mas isso não diminuía sua dor ao ver o filho sofrer e ser humilhado. Na sua companhia devemos passar esse Sábado Santo, enquanto esperamos a alegria da Ressurreição. Aprendi este ano, no site Vatican News, sobre a liturgia para esse dia de silêncio, que desejo aqui compartilhar.


A Hora da Mãe, liturgia da dor na esperança

Desde os primeiros séculos da era cristã, existe uma liturgia própria do Sábado Santo que acompanha Maria na espera e se une a ela neste dia de silêncio. Uma celebração de rito oriental, também acolhida no rito latino.

Maria Milvia Morciano – Vatican News

A Hora da Mãe é uma antiga liturgia, recitada na manhã do Sábado Santo desde 1987, Ano Mariano, na Basílica de Santa Maria Maior, onde foi oficiada pela primeira vez - século IX - pelos Santos Cirilo e Metódio. A celebração alterna salmos, leituras e orações rítmicas breves, os assim chamados "tropari" da liturgia bizantina.

Mas a celebração não é realizada apenas na papal arquibasílica maior: o favor de que goza a estendeu também para outros lugares. Por duas vezes foi celebrada na Basílica de São Pedro, a pedido de São João Paulo II e, ainda hoje, em outras igrejas. Esta tradição é alimentada pelo padre Ermanno Toniolo, da Ordem dos Servos de Maria, diretor do Centro para a Cultura Mariana de Roma e professor emérito da Pontifícia Faculdade Teológica "Marianum". Nascida em ambiente bizantino, a Hora de Maria se torna um elo vivo entre o Oriente e o Ocidente.

A Hora da Mãe, liturgia a ser recitada nas casas

Este ano, como no anterior, devido às restrições impostas para a contenção da pandemia por Covid-19, a Hora da Mãe, oficiada pelo arcipreste cardeal Stanislav Rylko, titular da Basílica de Santa Maria Maior, não pode ser celebrada em público, mas os fiéis ainda são convidados a reproduzir este esplêndido rito em suas casas diante de uma imagem de Nossa Senhora. Iluminada por uma lamparina ou uma vela, desde que não pascal - como relata o livrinho sobre a celebração mariana editado pelo padre Toniolo - torna-se também um momento de comunhão também familiar.

Maria das Dores

Nenhuma dor é maior do que aquela de uma mãe que perde seu filho. Imaginemos a dor de Maria: sabia o que devia acontecer e aprendeu a aceitar isso durante toda a vida, desde aquele primeiro ‘sim’ da Anunciação.

Ela vê tudo se cumprir sob seus olhos, com a certeza da fé de que seu filho é Deus, mas o vê sofrer como qualquer outro homem, submetido a terríveis torturas e humilhações e condenado à morte. A Virgem reconhece aquela dor que Simeão lhe previra: "Uma espada transpassará a tua alma" (Lc 2, 35). Citando Paulo na Carta aos Romanos (4, 18), a respeito de Abraão, o padre Toniolo escreve que Maria "acreditou contra toda evidência, esperou contra toda esperança".

O sim de Maria

Sob a Cruz, Maria pronuncia mais uma vez - no silêncio de seu coração - seu sim incondicional. A dor de Maria não é desesperada, mas ainda assim é insuportável, porque é a mais pura dor de uma mãe. Transcorre o sábado, aquele dia interminável, à espera de que tudo aconteça.

Esta força de fé, esta esperança segura, certamente não poderia aliviar sua dor. Ela teve que testemunhar a agonia de seu Filho e sua morte. Ela o segurou pela última vez em seus braços antes de deixá-lo, ao ser levado para a sepultura. Ela teve que aceitar o desapego e o vazio que se abateu sobre ela.

É impossível compreender quantos pensamentos «ela guardava em seu coração» (Lc 2, 51) em meio ao clamor das lamentações das piedosas mulheres e entre os Apóstolos perdidos. Sozinha, mas não na solidão e no abandono: Cristo, antes de morrer, pensou na sua Mãe e em todos os homens. Antes de morrer, da Cruz confia a sua Mãe a João:

"Então Jesus, vendo sua mãe e o discípulo que ele amava ao lado dela, disse à sua mãe: "Mulher, eis aí o teu filho!" Depois disse ao discípulo: "Eis aí a tua mãe!" E dessa hora em diante o discípulo a recebeu como sua mãe”. (João 19, 26-27)

União da Mãe com o Filho

Assim, toda a Igreja se reúne em torno dela, que se torna ponte entre o Filho e a humanidade, entre a morte e a vida, à espera da Ressurreição. Se a Sexta-feira Santa é a hora de Cristo, morto na Cruz, o Sábado Santo é a Hora da Mãe.
Notícias do Vaticano

 

segunda-feira, 8 de março de 2021

Viagem do Papa Francisco ao Iraque

 O Exemplo que vem do Iraque

Conseguimos imaginar os riscos da visita do Papa Francisco ao Iraque? Do contágio pelo coronavírus-19 a um atentado extremista, Francisco preferiu ignorar os perigos e entregar-se à Providência Divina. Foi recompensado com emoção e alegria. Numa terra onde ainda se fala o aramaico, a língua falada por Jesus, as raízes do Cristianismo permanecem fortes. A viagem do Bispo de Roma veio encorajar os esforços de reconstrução de um povo que responde com orações às destruições. Uma das paradas dessa peregrinação foi em Erbil, onde os monges caldeus, fugindo da fúria dos ataques em Mosul, constroem um novo mosteiro. Viagem abençoada! 



"Monges de Erbil: às destruições retribuímos com orações
“O Papa não vem aqui para resolver nossos problemas, mas para nos ajudar a nos amarmos e a dialogar, e para poder dar valor ao cidadão, independentemente de sua afiliação étnica ou religiosa”. Palavras do padre Yohanna Samer Soreshow, Superior da comunidade dos monges caldeus em Erbil

Antonella Palermo – Vatican News

A ocupação a planície de Nínive por parte do Isis esvaziou esta região da presença cristã. Mais de 100 mil cristãos foram forçados a deixar suas casas junto com outras minorias perseguidas, tais como os yazidis. Muitas dessas famílias encontraram refúgio no Curdistão iraquiano, no bairro cristão de Erbil. Nos últimos anos, pelo menos 55 mil cristãos iraquianos também foram expatriados do Curdistão iraquiano. A fúria destrutiva dos jihadistas não poupou suas igrejas e propriedades, que foram destruídas ou seriamente danificadas.

O padre Yohanna Samer Soreshow, Superior da Comunidade dos Monges Caldeus em Erbil, conta como há dois anos começou a construção de um novo mosteiro para substituir o perdido em Mosul.

Como o senhor se sentiu diante dessa expropriação?

Padre Soreshow: Nos tiraram tudo, mas há sempre aquela ancoragem à fé, aquela esperança de voltar a ser como era antes. Estamos tentando novamente aqui, o velho mosteiro acabou em escombros, há a esperança de refazê-lo aqui em Erbil, mas também a de poder um dia voltar para Mosul. Nossos olhos ainda estão voltados para aqueles lugares devastados, para aqueles lugares desconsagrados onde cada vestígio de nossa presença milenar foi enterrado. Aqui os cristãos não são estrangeiros, somos nativos, ainda falamos aramaico, a língua de Jesus, estamos enraizados aqui, mesmo que nos tenhamos mudado de uma cidade para outra. Há uma mistura de sentimentos. Sentimo-nos feridos, roubados, pisoteados em nossa dignidade, mas sempre retribuímos com a oração, com a intenção de amar e a vontade muito enraizada no Evangelho para fazer o bem, numa tentativa de criar uma sociedade melhor para que as pessoas que prejudicaram minorias possam mudar.


Como vocês se preparam para a chegada do Papa Francisco?

Padre Soreshow: Dizemos "irmão", tanto em árabe como em aramaico, o que significa que alguém resgata alguém que está sofrendo. Nós sempre quisemos que nossos irmãos em Cristo sentissem nossa dor e viessem em nosso auxílio. A obstinação do Santo Padre em vir aqui e não decepcionar nossas expectativas, e a memória do povo iraquiano em suas orações nos deram conforto para que não sofrêssemos duas vezes. Ele vem dizer: "Eu sou seu irmão, sinto sua dor, trago paz, esperança, amor". Todos estão se preparando com os meios possíveis que têm - não estamos vivendo uma estação alta do ponto de vista econômico - mas todos, muçulmanos e cristãos, todos, estão fazendo o melhor que podem para receber o Papa com elegância. Ele fez um gesto 'louco' ao vir aqui, mas está nos dando extrema felicidade porque sabemos que temos valor aos seus olhos. Ele não vem aqui para resolver nossos problemas, mas para nos ajudar a nos amarmos e a dialogar, e para poder dar valor ao cidadão, independentemente de sua afiliação étnica ou religiosa. Na cidade de Qaraqosh crianças e adultos estão se preparando com danças, desenhos, roupas especiais. Em Erbil esperamos que esta fraternidade seja precisamente a dos que ajudam, que não voltemos à página de sangue na qual o irmão mata seu irmão.

O senhor gostaria de nos dizer algo sobre a situação dos refugiados?

Padre Soreshow: Eu estava um pouco enjaulado com o serviço de ensino, mas quando fui para os acampamentos eu sabia que a realidade que tinha visto nas redes sociais era ainda mais dolorosa. Quando cheguei, percebi que as pessoas estavam sem nada, mas ainda com um sorriso fraco. "Eles levaram nossas casas, mas nós ainda temos nossa fé, eles não a tiraram de nós", diziam. Os bens terrenos talvez voltem para as gerações futuras, mas o importante é não ter perdido sua fé. Foi encorajador para mim que pedia para trabalhar, perguntando onde, como.... Essas pessoas sofreram tanto que eu deveria aprender tudo com elas, deveria ser mais forte e mais corajoso, como elas."

sexta-feira, 18 de dezembro de 2020

Um Judeu no Natal

Quando o Natal se torna festa nacional no Iraque, lembrei do artigo de Arnaldo Bloch escrito para o Globo há alguns anos. O Parlamento iraquiano acaba de decidir por unanimidade que o Natal será uma festividade para todo o país a partir deste ano. A decisão adquire um significado ainda mais profundo tendo em vista a Viagem Apostólica do Papa Francisco ao país islâmico, programada para março de 2021. Me emociona que a beleza do Natal seja percebida pelas outras Religiões, afinal todos buscamos o mesmo Deus!

Uma única vez entrei numa sinagoga; foi para participar do Bar-Mitzvá de um paciente do meu marido. Acostumada com as igrejas católicas, enfeitadas com vitrais, estátuas e imagens de santos, estranhei as paredes brancas e a ausência de símbolos à mostra. Em dado momento, abriu-se um armário de onde foi tirado um enorme rolo de papel. Era a Torá, o livro sagrado dos judeus! Isto chamou minha atenção, me encheu de respeito. Mas o que me comoveu profundamente foi a beleza das palavras das orações judaicas. Pude lê-las num dos livrinhos deixados para os convidados. As preces estavam traduzidas para o português nas páginas do lado esquerdo, e no lado direito expostas no original. Quanta poesia na maneira de se dirigir a Deus! As lágrimas escorriam enquanto eu acompanhava, reverentemente, a cerimônia e as orações aprendidas há 2000 anos pelo meu querido Jesus!

Torá

Um judeu no Natal 
de Arnaldo Bloch

"Mexiam com meus sentidos a luz, as árvores, os enfeites e a linda e melancólica ‘estrela brasileira no céu azul’, da marcha-rancho da Varig
Num recente e bonito texto em sua coluna na “Folha de S.Paulo”, sob o título “Neste natal, seja judeu”, o publicitário Nizan Guanaes saudou o elo espiritual que une o povo de Abraão por meio de sua cultura, sua iniciativa e seus ritos, como exemplo para todos os povos. Em especial aqueles que, no dia de hoje, celebram o nascimento de Jesus. Nizan me fez pensar: o que é, por outro ângulo, ser de fato judeu durante a festa?

Todo ano me perguntam: “Vocês têm Natal?” Respondo com memórias. Que, desde menino, mexiam com meus sentidos a luz, as árvores, os enfeites e a linda e melancólica “estrela brasileira no céu azul”, da marcha-rancho da Varig. Aos 5 anos, fui ao Maracanã ver Papai Noel pousar de helicóptero. Eu tinha 100% de certeza que se tratava, ali, no gramado, do bom velhinho, o original, onipresente e eterno.

Já aos 10, em Copacabana, na véspera da ceia, um menino com quem jogava futebol na praia puxou a gola de minha camisa.

— O que aconteceu com você? Nasceu e disseram que ia ser judeu?

— Judeu, católico, preto, branco, árabe, índio, é tudo gente — reagi.

— Como é que é? — ele desconfiou.

— E digo mais: na Bíblia, o pai de Jesus era o Deus do Velho Testamento — completei.

Ele fez um suspense, largou minha camisa e deu o veredito.

— Então tá combinado.

E voltamos a jogar bola como se nada tivesse havido de importante.

Não demorou para me dar conta de como são fortes, para além do ensejo de Nizan, as ligações da data com o judaísmo: afinal, o menino da manjedoura nasceu judeu. No oitavo dia, quando foi circuncidado, recebeu o nome Yeshua ben Yossef (Jesus, filho de José). É o que narram tanto Mateus quanto Lucas. No calendário está escrito: 1º de Janeiro, Dia da Circuncisão do Senhor.

Aos 13, Jesus celebrou seu Bar-Mitzvá, a se crer no episódio da conversa com os Doutores da Lei, os rabinos, em Jerusalém. Maria e José, diz o Evangelho, estavam, comovidos. Mais tarde, na caravana de Nazaré, deram por falta do filho. Jesus ficara no Templo, com os barbudos, imerso em debates sobre a mística, a ética e os mistérios da vida.

Como judeu, Jesus, revolucionário, morreu. A inscrição do acrônimo INRI na cruz (do latim, Iesus Nazarenus, Rex Iudaeorum) se traduz por “Jesus Nazareno, Rei dos Judeus”. Pilatos, governante da Judeia, zombava da liderança daquele que se dizia rei do seu povo. Um povo dividido. Mas seu.

Por isso intrigava-me quando Carlos Heitor Cony, nas reuniões de família, dizia que a doutrina cristã era o judaísmo embalado num baita pacote de marketing. E quando meu tio Adolpho, com genuíno carinho, contava que os hebreus perderam Jesus Cristo por um problema de relações públicas.

Seja como for, devo confessar que minha ligação com o Natal, no correr dos anos, passou a encontrar maior ressonância no terreno culinário, não menos divino. Poucas combinações são tão perfeitas quanto peru, arroz, farofa, molho, salada de aipo com maionese e vinho tinto. Por isso, sempre que um bondoso cristão convida o judeu aqui para a ceia, não reluto. Do contrário, dou um jeito de me arrumar, num disque-tudo, ou na padaria da esquina. Feliz Natal."

O Globo, 26/12/18 

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