segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Cora Coralina - Viver Bem

do site iurirubim
Para lembrar e praticar! 

Um repórter perguntou à Cora Coralina o que é viver bem. 
Ela lhe disse:

Eu não tenho medo dos anos e não penso em velhice. E digo pra você, não pense. Nunca diga estou envelhecendo, estou ficando velha. Eu não digo. Eu não digo que estou velha, e não digo que estou ouvindo pouco.
É claro que quando preciso de ajuda, eu digo que preciso.

Procuro sempre ler e estar atualizada com os fatos e isso me ajuda a vencer as dificuldades da vida. O melhor roteiro é ler e praticar o que lê. O bom é produzir sempre e não dormir de dia. Também não diga pra você que está ficando esquecida, porque assim você fica mais. Nunca digo que estou doente, digo sempre: estou ótima. Eu não digo nunca que estou cansada.

Nada de palavra negativa. Quanto mais você diz estar ficando cansada e esquecida, mais esquecida fica.
Você vai se convencendo daquilo e convence os outros. Então silêncio! Sei que tenho muitos anos. Sei que venho do século passado, e que trago comigo todas as idades, mas não sei se sou velha, não. Você acha que eu sou?

Posso dizer que eu sou a terra e nada mais quero ser. Filha dessa abençoada terra de Goiás. Convoco os velhos como eu, ou mais velhos que eu, para exercerem seus direitos.
Sei que alguém vai ter que me enterrar, mas eu não vou fazer isso comigo.

Tenho consciência de ser autêntica e procuro superar todos os dias minha própria personalidade, despedaçando dentro de mim tudo que é velho e morto, pois lutar é a palavra vibrante que levanta os fracos e determina os fortes.

O importante é semear, produzir milhões de sorrisos de solidariedade e amizade. Procuro semear otimismo e plantar sementes de paz e justiça. Digo o que penso, com esperança.

Penso no que faço, com fé. Faço o que devo fazer, com amor. Eu me esforço para ser cada dia melhor, pois bondade também se aprende.

Mesmo quando tudo parece desabar, cabe a mim decidir entre rir ou chorar, ir ou ficar, desistir ou lutar; porque descobri, no caminho incerto da vida, que o mais importante é o decidir. (Cora Coralina)

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Como Voltei para Deus - um bom motivo

de Peter Seewald

At Church, de Carl Larsson
No meu processo de aprendizagem da fé, houve alguns encontros importantes, que me mostraram passo a passo algum aspecto novo do mundo misterioso do cristianismo. Mas o meu principal motivo para voltar à religião foram os meus filhos. Tinham crescido pagãos, e certa manhã assustei-me ao cair em mim neste ponto. "Eles não saberão nada sobre o Monte Sinai", comentei desesperado com a minha mulher, "e quando lhes perguntarem sobre as bem-aventuranças, só abanarão cansadamente a cabeça. Não terão a menor noção da nossa cultura. Sobre que coisas poderemos falar daqui a uns anos? E que imbecilidade há de preencher-lhes o vácuo espiritual que certamente vai crescendo neles de dia para dia?"

Talvez eu não tenha faltado para com os meus filhos - que pensava eu - apenas por não lhes ter dado tempo suficiente para brincarmos juntos, com carinho e amor, mas por tê-los privado também de outras coisas muito mais importantes: certa firmeza, coerência e orientação. Os nossos filhos deveriam ter pelo menos a liberdade de poderem algum dia abandonar a Igreja, se assim o quisessem. Um motivo paradoxal? Sem dúvida, mas para se poder julgar alguma coisa, é preciso antes ter chegado a conhecê-la; e eu experimentava a ânsia de lhes dar alguma coisa que pudesse ajudá-los no caminho da sua vida, uma espécie de provisão de que pudessem alimentar-se mais tarde.
(Meu Deus! Como voltei para Deus - editora Quadrante)

Freedom from Fear, de Norman Rockwell

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