sexta-feira, 26 de junho de 2009

O Castelo de Vidro - Jeannette Walls


Nem sempre tinham o que comer, às vezes dormiam amontoados dentro do carro ou num casebre do deserto de Mojave. Só usavam roupas velhas, estudavam quando possível, mas ganhavam estrelas como presente de Natal, devoravam livros e estavam juntos, para o que desse e viesse. Assim era a família de Jeannette Walls, autora de "O Castelo de Vidro". Suas memórias impressionam, divertem e mostram como amar, apesar dos defeitos, deixando o que é ruim para trás, e focalizando o que realmente vale a pena.

"O Castelo de Vidro" é uma publicação da Nova Fronteira, com boa tradução de Luciana Persice Nogueira. Pode ser encontrado no site Submarino por R$ 19,90.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Felippe Daudt de Oliveira -Terra Perdida




Terra Perdida

Abandonado, assim, dentro da vida...
Sózinho, sem destino, sem legenda...
Ninguém!... E uma ansiedade mal-contida
de alguma coisa antiga que me prenda.

E a dor de relembrar... Tudo distante...
Recordações que chegam em pedaços
Minha memória, envelhecida, errante,
põe-se a andar para trás, sobre meus passos.

Erra, longe, acordando horas felizes...
E a minh'alma de novo se descerra
naquele amor que ao chão prende as raízes,
o amor do primitivo pela terra!

Minha terra perdida... Lembro-a... E lembro
os fundos céus de cinza e as tardes calmas,
naqueles dias mortos de Novembro,
mês de papoulas novas e das almas.

Novembro... Mês de tumbas... Romarias
de finados e quietações de cova.
E em contraste essas claras alegrias
de terra em flor e Primavera nova.

Ah! Primavera... Evocas os extensos
de verdes e os chorões ao pé da Igreja,
com os esmolantes braços velhos pensos,
pedindo ao chão bendito que os proteja.

Recordo tanto... A Igreja, entre as acácias,
na elegância das suas linhas vivas,
desde o entalhe custoso das rosáceas,
dos ângulos agudos das ogivas.

E aquelas noites pelo céu deserto...
Que lindas noites... (Pudesse ainda eu vê-las)
E a lua, como um lírio em fogo aberto,
a derramar o polen das estrelas...

E as matinadas de verão... E os vagos
de sombra! ... (Ó sombra, que mistério escondes,
para a um tempo fazer morrer os lagos
e humanizar a larga paz das frondes?)

Lembro finados, outra vez...E escuto
as orações de um rito. Gemem, longe,
mágoas de sino. O ambiente veste luto
e ouço um réquiem entoando a voz de um monge.

Passam místicos vultos... De Profundis...
Doridos sons de funerários salmos...
E após vens tu, coveiro, que me infundes
o religioso horror dos sete-palmos...

in Vida Extinta


E para exorcizar os pensamentos sombrios, uma visão do céu e da luz que paira sobre todos os habitantes desse planeta bendito, quer riam, quer chorem...

terça-feira, 2 de junho de 2009

Felippe Daudt de Oliveira


Felippe D'Oliveira por Candido Portinari (obra encontra-se no MASP)

Seu nome era Felippe Daudt de Oliveira. Nasceu a 23 de agosto de 1890, em Santa Maria da Boca do Monte (RS). Morreu num acidente de automóvel em Auxerre, perto de Paris, a 17 de fevereiro de 1933. Aos 16 anos já escrevia críticas musicais para o "Correio do Povo". Mais tarde farmacêutico, cronista elegante, hábil no remo, natação, exímio esgrimista, esforçado presidente do Clube de Regatas Guanabara. Foi ainda pioneiro da propaganda no laboratório Daudt, bom amigo e tio adorado, pelo carinho e atenções constantes com toda família. Como poeta, autor de "Vida Extinta" e "Lanterna Verde", assinava Felippe D'Oliveira. Seu corpo repousa no Cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro.




"Vida Exterior", escultura de Adriana Janacopoulos

História Leal dos Meus Amores


Eu tive a iniciação para a alegria
num tempo primitivo de paisagem,
em que, num fundo aberto de baía,
da argila das montanhas, emergia
a forma azul de um ídolo selvagem.

Entrei na imensidade dessas águas,
de alma feliz, cantando em tons de trova...
E ao batismo de um sol chispando fráguas
eu jurei esquecer antigas mágoas
numa esperança ideal de vida nova...

in Vida Extinta (1911) -
(2 primeiras estrofes)

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Voo 447



Que tristeza, meu Deus, esse acidente com o avião da Airfrance. Passei o dia frente à TV, ouvindo cada um dos especialistas convidados pelo canal Globonews, tentando compreender o que pode ter acontecido. Presos a um fio de esperança, só nos resta rezar pelos passageiros, suas famílias e amigos.

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