terça-feira, 26 de maio de 2009

Parabéns para Nós!


Em 1973, o dia 26 de maio caiu num sábado. Às 11 horas entrei pelo braço de meu pai na Capela de Santa Terezinha, no Palácio Guanabara. Meu noivo me aguardava no altar e os amigos e a família enchiam a pequena igreja. Eu estava alegre e pouco nervosa. Preferíamos que a homilía do padre não tivesse como tema o divórcio. Hoje em dia rio disso, mas, na época, Paulo ficou bem zangado. Houve um almoço apenas para os padrinhos e viajamos em lua-de-mel para Foz do Iguaçu. Levamos bastante roupa quente, já que nos avisaram sobre o frio que fazia, mesmo em maio. Pois os dias que lá passamos foram todos quentes e ensolarados.



Depois vieram os filhos e os primeiros batizados na Capela da Casa de Saúde São José. Paulo se aborreceu com o padre, que exigia que ele renunciasse a Satanás. Como resultado, ele não compareceu ao Batismo dos três filhos mais moços.



Voltei à Igreja quando ele quase morreu de uma meningoencefalite bacteriana na Áustria. Na cidade de Innsbruck coberta de neve, acompanhada por meu irmão Carlos, me ajoelhei diante da primeira imagem de Nossa Senhora que encontrei, e pedi sua intercessão pela vida do Paulo. Assisti missas em alemão e, quanto mais os médicos me desanimavam, mais eu pedia. Totalmente restabelecido, Paulo não teve uma sequela sequer. Diante da experiência e do bem estar que senti, voltando ao confortável hábito da oração, preferi continuar meu diálogo com Deus.

Estou esperando Paulo terminar as últimas consultas do dia. Começo a ficar sonolenta e me distraio escrevendo a postagem. Minha mãe e 4 dos nossos 5 filhos estarão à mesa conosco, para celebrar esses 36 anos de uma convivência de amor crescente. Hoje ele suportou , sem reclamar, a sessão inteira de "Star Trek - Jornada nas Estrelas". Percebendo que eu estava gostando, agarrada no seu braço nos momentos de maior suspense, aguentou firme. É um maridão! Espero que o Taco, a carne temperada com chili e os acompanhamentos estejam a seu gosto.

sábado, 23 de maio de 2009

Feira da Qualidade de Vida



Esse ano a Feira da Qualidade de Vida no Colégio São Vicente de Paulo esteve especialmente concorrida. O stand do Museu do Mel subiu para o pátio e ampliou sua exibição. Luis Moraes e equipe trouxeram as abelhas, o pão de mel, própolis, o Guia da Apicultura e muita informação para pais e crianças. Feliz com o sucesso da exposição, Valéria se dividia para atender o público.



O grupo M.A.S. serviu um refrescante e nutritivo suco de abacaxi e couve, acompanhado de um delicioso bolo feito com casca de frutas. Peguei a receita para repetir em casa! Nos fundos da quadra havia amplo espaço para leitura. Entre os livros, podia-se escolher "África", do fotógrafo Sebastião Salgado. Páginas de beleza e dor. Ali perto o pessoal do INCA informava sobre doação de sangue e medula. Na saída, o EJA (Educação de Jovens e Adultos) deixou um Ensinamento:

Minha mãe achava estudo
a coisa mais fina do mundo
Não é.
A coisa mais fina do mundo é o
sentimento.
Aquele dia de noite, o pai fazendo serão,
ela falou comigo:
"Coitado, até essa hora no serviço pesado".
Arrumou pão e café, deixou tacho no fogo
com água quente.
Não me falou de amor.
Essa palavra de luxo.

(Adélia Prado)

terça-feira, 19 de maio de 2009

o Melhor do Mundo são as Crianças


Ai que prazer
Não cumprir um dever,

Ter um livro para ler

E não o fazer!

Ler é maçada,

Estudar é nada.

O sol doira

Sem literatura.

O rio corre, bem ou mal,

Sem edição original.

E a brisa, essa,

De tão naturalmente matinal,

Como tem tempo não tem pressa...


Livros são papéis pintados com tinta.

Estudar é uma coisa em que está indistinta

A distinção entre nada e coisa nenhuma.


Quanto é melhor, quando há bruma,

Esperar por D. Sebastião,

Quer venha ou não!

Grande é a poesia, a bondade e as danças...

Mas o melhor do mundo são as crianças,

Flores, música, o luar, e o sol, que peca

Só quando, em vez de criar, seca.


O mais que isto

É Jesus Cristo,

Que não sabia nada de finanças

Nem consta que tivesse biblioteca...


Na sua corte gentil, meu marido recitava-me, por telefone, poesias de Fernando Pessoa. E com palavras emprestadas foi me conquistando. Embora adore os livros, também aprecio apenas estar, como as crianças, no momento presente, deixando a imaginação e o pensamento vagarem livres por aí.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Guia do Observador de Nuvens



Um dia ensolarado é praticamente idêntico a outro. A diferença está num tom mais ou menos forte no azul do céu. Em maio, no hemisfério sul, a cor torna-se mais intensa, o que é perfeito para fotografias ao ar livre.


As pessoas costumam se queixar da chuva e dos dias nublados. Sobretudo no litoral, sonham com a praia e o sol constante. Que injustiça! Se a chuva alimenta os rios, limpa a atmosfera, as nuvens controlam a temperatura do planeta e tornam a contemplação do céu bem mais interessante. Assim como as aves, o vento, as ondas do mar e as cachoeiras, elas movimentam a paisagem. Que chatice um mundo parado numa sucessão de dias azulados, sem nuvens!

Em seu louvor, o designer gráfico Gavin Pretor-Pinney escreveu o "Guia dos Observadores de Nuvens", onde encontramos o seguinte manifesto. ;-)

O Manifesto

da The Cloud Appreciation Society


............

Acreditamos que as nuvens vêm sendo injustamente caluniadas e que a vida sem elas seria imensamente mais pobre.

Achamos que as nuvens são a poesia da Natureza, e o mais igualitário dos espetáculos por ela proporcionados, já que todos podem desfrutar de uma visão fantástica das nuvens.


Comprometemo-nos a combater a "mentalidade céu-azul" sempre que a encontrarmos. A vida seria tediosa se tivéssemos de encarar - dia após dia - a monotonia de um céu sem nuvens.


Procuramos lembrar às pessoas que as nuvens são expressões de estados de espírito da atmosfera e podem ser lidas da mesma forma que as expressões no rosto de alguém.


Acreditamos que as nuvens são para os sonhadores e que sua contemplação é benéfica para a alma. Na realidade, todos os que refletem sobre as formas que elas abrigam economizarão na conta do psicanalista.
Assim, dizemos a todos os que se dispõem a escutar:

Ergam os olhos e maravilhem-se com a beleza efêmera, e levem sua vida com a cabeça nas nuvens.

(Guia do Observador de Nuvens, de Gavin Pretor-Pinney - Editora Intrínseca)

quarta-feira, 6 de maio de 2009

seu Nehemias no Cosme velho



Voltava da Missa a pé, nesse domingo, quando passa por mim um jovem, empurrando a carrocinha azul de produtos da Nestlé. Imediatamente me veio à memória seu Nehemias, o senhor alto, magro, elegante, afável, já grisalho. Bem podia ser um rei africano, mas vendia sorvetes da Kibon na saída dos colégios Sion e São Vicente, no Rio de Janeiro. Percorrendo a rua das Laranjeiras, costumava estacionar o carrinho amarelo na esquina da rua Marechal Pires Ferreira. Especialmente nos dias de calor, que alegria avistar nosso amigo à espera dos jovens clientes!

Casei, tive a primeira filha, e seu Nehemias continuava lá. Parecia eterno. Mesmo que eu não perguntasse, garantiu: - "Pode dar para a menina o potinho de creme, tranquilamente. O produto é de primeira qualidade." Como não seria? O vendedor era seu Nehemias!

Um dia ele sumiu. Não sei bem quando, talvez no meio da década de 70, mas sentimos a falta. Não tiramos nenhuma foto! E depois descobrimos o perigo das gorduras trans... Ainda bem que seu Nehemias não estava mais aqui!

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